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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Qual a ligação do nazismo com a esquerda? compreenda o assunto

Graças à fala do Presidente Jair Bolsonaro, que disse “não ter dúvida que o Nazismo era de Esquerda”, surgiu um amplo debate a respeito da veracidade dessa afirmação sobre o Nacional-Socialismo (Nazismo) ser um fenômeno político de Esquerda. No que se baseia tal entendimento? Vamos tentar aprofundar a questão nesse artigo, dando aos leitores elementos suficientes para concluir definitivamente por si:

Moeda Nazista 

GENEALOGIA DO NAZISMO – Segundo admitia o próprio Adolf Hitler, o Nacional-Socialismo Alemão foi abertamente inspirado no Fascismo, que havia sido criado alguns anos antes, na Itália. Dado que o Fascismo serviu de modelo para o Nazismo, é comum o uso do termo “Nazi-Fascismo”, referindo-se ao conjunto dos fenômenos políticos de mesma orientação, ocorrido nessa época em vários outros países (inclusive no Brasil). Isso faz com que o entendimento do Fascismo e de suas origens seja crucial para traçar a genealogia do Nazismo.

Acontece que o criador e principal líder do Fascismo, Benito Mussolini, anteriormente era um marxista de carteirinha, filiado ao Partido Socialista Italiano, portanto um homem de Esquerda. O próprio pai de Mussolini foi um Socialista fervoroso, ferreiro de profissão, tendo dado ao filho o nome de Benito, para homenagear o revolucionário mexicano Benito Juárez. O filho seguiu ao pai em suas concepções políticas, sendo fortemente influenciado pelas idéias do Sindicalismo Revolucionário proposto originalmente pelo francês Georges Sorel. Nos primeiros anos do século XX, Benito militou ativamente nos movimentos esquerdistas italianos, tendo estado à frente de jornais de divulgação das doutrinas de Karl Marx voltados para a criação de um ambiente pré-revolucionário em seu País. De fato, até hoje Mussolini é considerado um dos Socialistas mais proeminentes da Itália, devido à sua importante participação como liderança do movimento Socialista, tendo até sido preso algumas vezes por essa militância ardorosa e destacada. A orientação política do PSI era o marxismo de viés sindicalista, também conhecido como “Trabalhismo” (tal como o brasileiro Partido dos Trabalhadores, em suas origens).

Para esclarecer qualquer dúvida, o Socialismo é uma etapa que antecede e prepara a implantação total do Comunismo numa Nação, segundo a proposta do teórico Karl Marx (criador do Comunismo e de cujo nome origina-se o termo “marxista”).


Mussolini só veio a romper com o PSI em 1914, quando divergiu da orientação do Partido com relação à participação da Itália na Primeira Guerra Mundial: Benito era a favor, em certa circunstância, enquanto o PSI era totalmente contra. Em face disso, ele foi expulso do PSI e, posteriormente, alistou-se no Exército Italiano, tendo lutado até 1917, quando deu baixa por ferimentos sofridos no front. Rompido com o Partido Socialista, em 1919 Mussolini fundou os FASCI ITALIANI DI COMBATIMENTO, que depois viriam a se tornar o Partido Fascista. A proposta Fascista era ideologicamente Socialista, pois baseava-se no Sindicalismo, na intervenção do Estado na Economia (antiliberalismo), no Governo como expressão da vontade das massas e no culto à personalidade do líder (como acontecia na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, com Lênin). Unicamente por conta da desavença pessoal do PSI com Mussolini, o Partido Fascista posicionou-se como anti-socialista.

Formando milícias para a “Luta de Classes” que se distinguiam pelo uso padronizado de camisas negras, o Movimento Fascista realizava marchas no campo e nas cidades, impondo terror aos adversários e, não raro, utilizando a violência nos seus atos políticos (exatamente como faz o MST, no Brasil, usando camisas vermelhas). Em 1922, Mussolini dirigiu seus camisas negras numa Marcha sobre Roma e, sob tal coação, o Rei Vitório Emanuel III nomeou-o primeiro-ministro da Itália. A partir daí, Mussolini tornou-se ditador do País, subordinando todos os Sindicatos ao Governo e banindo os demais partidos políticos, implantando censura dos meios de comunicação, perseguindo seus opositores (socialistas, inclusive) e utilizando as milícias de forma agressiva para manter a sociedade civil sob controle total (qualquer semelhança com o Socialismo Bolivariano da Venezuela não é mera coincidência). Para conquistar o apoio das elites e acalmá-las, Mussolini afirmou que o Fascismo era contra o Bolchevismo Marxista-Leninista (Ditadura Militar do Proletariado, também inspirada nas idéias de Karl Marx, que regia a contemporânea União Soviética, então governada por Lênin).


Apesar de ser antiliberal e antidemocrático, portanto um opositor – em princípio – das Democracias Capitalistas Liberais do Ocidente (França, Inglaterra, EUA, etc), Mussolini se colocou para a aristocracia e os industriais italianos como uma espécie de “terceira via”, pois não tencionava destruir a propriedade privada dos meios de produção (como o Marxismo Bolchevique faria), embora também não abrisse mão do Trabalhismo e de manter a economia sob estrito controle estatal (ao contrário do que o liberalismo propunha). A idéia era a de que os capitalistas que tivessem alinhamento com o Governo Fascista receberiam contratos garantidos do próprio Estado, contanto que concordassem em conceder certos direitos aos trabalhadores. A vantagem para os Capitalistas era a de que o Governo manteria os trabalhadores sempre dóceis, através do controle dos Sindicatos. Na relação custo-benefício, os Capitalistas tinham seu lucro garantido pelos impostos do contribuinte, enquanto as massas teriam uma renda mínima padronizada e outros benefícios – isso, se apoiassem o Regime Fascista. Como no Regime Socialista Soviético, o Estado Fascista era coletivista e totalitário, isto é, o interesse do coletivo (Estado) sempre estava absolutamente acima dos interesses dos indivíduos.

Tal abordagem econômica, propondo o então inédito intervencionismo do Estado na economia capitalista, foi objeto dos estudos do economista John Maynard Keynes, cujas teorias vieram a salvar o próprio Capitalismo, na crise de 1929. Segundo chegou a dizer Keynes, o lugar do mundo onde suas teorias foram mais correta e amplamente aplicadas foi na Alemanha Nazista, por sinal. Para efeito comparativo, até então, o único País do Mundo em que o Estado interferia na economia era a União Soviética, onde a Ditadura Bolchevique havia estatizado todos os meios de produção e controlava totalmente o mercado pela planificação de metas produtivas, através dos famosos Planos Quinquenais. Podemos dizer, por conseguinte, que o Fascismo foi filho rebelde do Socialismo, porque apesar do parentesco evidente, não se propunha a implantar o Comunismo, da forma que os Bolcheviques Soviéticos estavam fazendo. Em suma, o Fascismo era um tipo novo de Socialismo, que propunha a convivência com o Capitalismo (como modelo econômico), enquanto mantinha um projeto de Poder com controle absoluto do Estado pelo Partido Único, através do discurso social trabalhista e da ação intimidatória de sua militância, no mesmo modelo populista do Socialismo convencional. Para garantir que o próprio povo jamais questionasse o Estado, o Regime Fascista procedeu o desarmamento dos cidadãos e iniciou uma massiva doutrinação ideológica nas escolas e universidades – que incluiu a exaltação à personalidade de Mussolini – exatamente como Lênin já havia feito na URSS.


Praticamente TODOS os Partidos políticos da Esquerda Brasileira atual são fascistóides em seus programas e atuação (incluindo PT, PC do B, PSOL e PSTU, entre outros). A exceção fica apenas para as siglas mais à extrema-esquerda, que ainda sonham em implantar o Bolchevismo radical clássico, com fuzilamento massivo dos “burgueses”, expropriação da propriedade privada e economia estatizada totalmente planificada pelo Estado, com o objetivo de chegar ao estágio do Comunismo.

Na prática, a adesão do capitalismo italiano ao intervencionismo estatal fez a economia daquele País atravessar a Crise Mundial do Capitalismo de fins dos anos 20 com tranquilidade. Tal fato deu destaque extraordinário ao modelo político Fascista, que foi entendido como fórmula de renovação e prosperidade para um Mundo assolado pela terrível crise econômica. O Fascismo ostentava pompa imperial em grandes solenidades marciais presenciadas por multidões e anunciava um extraordinário renascimento do Antigo Império Romano. É aí que entra Hitler e o Partido Nacional-Socialista.

O PARTIDO NACIONAL-SOCIALISTA DOS TRABALHADORES ALEMÃES – Em 1919, depois da derrota alemã na I Guerra Mundial e estabelecimento do Regime Republicano no País, um grupo de nacionalistas fundou o Partido Socialista dos Trabalhadores Alemães, rapidamente rebatizado como Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP – Deutsche Arbeit Partei). Desde o início, o Partido dos Trabalhadores Alemães se posicionou contra o Partido Social-Democrata Alemão e contra o Partido Socialista Alemão, pelo motivo de que as duas últimas siglas seguiam orientação Marxista-Leninista internacionalista, isto é, recebiam ordens de Moscou para estabelecer uma revolução internacional, tal como o já citado Partido Socialista Italiano. Sendo os criadores do DAP autênticos nacionalistas, viam com desprezo o internacionalismo das duas outras agremiações alemãs ligadas ao trabalhismo. Por declarar-se contra o internacionalismo socialista, o DAP conseguiu atrair para suas fileiras os veteranos de guerra desmobilizados das Forças Armadas, que formavam, nessa época, uma massa de desempregados.


Explica-se: quando da rendição alemã na I Guerra Mundial, nenhum soldado estrangeiro havia entrado na Alemanha, de forma que a capitulação da Nação era inexplicável aos olhos dos combatentes do front – que, afinal, estavam suportando agruras inimagináveis em defesa da Pátria e morrendo aos milhares, diariamente, nos campos de batalha dentro do território inimigo. Ocorre que o Kaiser Wilhelm II capitulou por causa da onda de greves e manifestações promovidas no interior da própria Alemanha por revolucionários Socialistas e Social-Democratas (duas correntes do marxismo), que intencionavam expandir a Revolução Russa para a Alemanha! O Imperador, já abatido com o enorme morticínio da guerra, entendeu erroneamente que o seu povo não queria mais lutar e aceitou a rendição, para consternação das Forças Armadas. Esse fato criou o sentimento de “punhalada pelas costas” que os milhões de veteranos passaram a sentir pelos Comunistas, pois que estes traíram a Pátria Alemã, em plena Guerra Mundial, pelas idéias de Karl Marx. Uma curiosidade é que a maioria dessas lideranças revolucionárias esquerdistas de 1917 eram judeus.

Os fatos acima elencados, junto com a miséria e inflação galopante que assolaram a Alemanha durante todo os anos 20, criaram no senso comum popular a crença de que o judaísmo e o comunismo eram ligados. As dívidas de guerra exorbitantes, pagas pela Alemanha a bancos de propriedade judaica também afloraram o anti-semitismo popular. A combinação das necessidades materiais, da humilhação nacional, do anti-semitismo popular, do inconformismo com a derrota na guerra e do caos político, deu espaço para que o radicalismo avançasse na preferência popular. Nesse contexto, o DAP se declarava em guerra contra o Bolchevismo e contra o Judaísmo internacional, e a favor do nacionalismo germânico.

Ainda em 1919, Adolf Hitler entrou no Partido, rapidamente se destacando por sua oratória e se constituindo a liderança principal. Em 1920, a sigla muda pela última vez de nome: agora é o PARTIDO NACIONAL-SOCIALISTA DOS TRABALHADORES ALEMÃES (Nationalsozialitische Deutsch Arbeit Partei – NSDAP). Por “Nacional-Socialismo”, se entendia um Socialismo eminentemente de raiz Alemã, contrário ao Socialismo Internacionalista Marxista (chamado pejorativamente Judaico-Bolchevismo pelos nazistas), bem como em total repúdio pelo Tratado de Versalhes (acordo humilhante de rendição alemã na guerra). As propostas iniciais do Nazismo eram erradicar o Judaico-Bolchevismo da Alemanha, recuperar o orgulho nacional, reerguer o País e formar um novo Império Alemão – o Terceiro Reich. Evidentemente, tudo isso era mais fácil de falar, do que de fazer. Tal como Benito Mussolini, Adolf Hitler constituiu uma milícia partidária, os camisas pardas.

Para conseguir os objetivos do Nacional-Socialismo, Hitler sabia que não podia contar com os vencedores da I Guerra (as Democracias Capitalistas Ocidentais). Seus olhos se voltaram para o modelo organizacional das duas alternativas que se apresentavam à sua frente: a Ditadura do Proletariado do Socialismo Soviético e a Ditadura Fascista Italiana. O detalhe importante é que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas era desprezada por ele (e por todos os Nazistas), como “ninho do Judaico-Bolchevismo” – portanto o centro da conspiração internacional que derrotara a Alemanha na Grande Guerra. Com efeito, o Fascismo Italiano afigurou-se como o principal modelo seguido pelo Nacional-Socialismo, com sua proposta inovadora de Socialismo outsider ao Marxismo-Leninismo e evidente prosperidade econômica, em contraste com o Capitalismo aparentando decadência do resto do mundo.A Hitler repugnava a sociedade burguesa e liberal, feita de shopping centers e arranha-céus. Com efeito, a imagética Nacional-Socialista remete – e muito – ao Império Romano ( de quem o Fascismo, supostamente, seria herdeiro). A própria saudação Nazista (com o braço estendido como uma espada) era uma saudação romana e os desfiles marciais repletos de estandartes, águias e tochas flamejantes eram o mais próximo da cenografia da época antiga clássica que uma Nação moderna jamais recriou. O Nazismo, de fato, é um Fascismo Alemão com a adição do componente ideológico racial. No mais, entende-se que o Nacional-Socialismo pretendia criar um novo homem, tal como a utopia Socialista também o sonhava. Mas o novo homem tencionado pelo Nazismo não era o Homem Comunista proposto por Karl Marx e, sim, um Super-Homem Ariano capaz de erguer o Império que eclipsaria Atenas, Esparta e Roma pelos feitos em armas e pelo brilho cultural.


Após muitos altos e baixos durante todos os anos 20, Hitler chegou aos anos 30 como um dos líderes políticos mais influentes da Alemanha. O Partido Nazista era um fenômeno eleitoral e, para conseguir o apoio da elite industrial alemã, o Füehrer fez o mesmo que Mussolini: propôs o pacto de intervencionismo na economia, contratos estatais para os empresários e direitos trabalhistas para o povo. Em 1933, após eleições democráticas em que o Partido Nazista obteve boa votação, Hitler foi chamado a ser o primeiro-ministro da Alemanha.


Nesse momento, Hitler e o Partido Nacional-Socialista tinham bem claro o seu projeto de Poder: 

a)Implantar uma Ditadura nos mesmos moldes do Fascismo (Partido Único, culto à personalidade do líder, coletivismo e totalitarismo, união dos Sindicatos, desarmamento da população, doutrinação em massa através do sistema educacional e dos meios de comunicação, economia keynesiana, discurso populista e manutenção das milícias político-partidárias como forma de controle social);

b)“Purificar” a sociedade alemã dos elementos hostis ao Nacional-Socialismo: Marxistas Internacionalistas (Socialistas e Social-Democratas), Liberais, Maçons, Judeus e minorias étnicas não-germânicas. A idéia era constituir uma comunidade germano-ariana raiz, através do resgate e ressurreição da herança histórico-cultural alemã;

c)Reconstruir as Forças Armadas Alemãs e colocá-las no patamar das melhores do mundo, pelo entendimento que uma grande potência só se faz através de sua expressão militar;

d)Erguer o Reich de Mil Anos através de uma grandiosa guerra de conquista da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, cujo território extenso seria o espaço vital de que a Alemanha precisava para ser um Império Mundial, mesmo na falta de colônias ultramarinas como tinham a França e a Inglaterra. Os nazistas pretendiam fazer no Reich o mesmo que as 13 colônias norte-americanas fizeram na Conquista do Oeste ao México e aos índios: marchar pelas terras alheias fazendo valer o direito da força aos povos submetidos. A diferença é que pretendiam marchar para o Leste, anexando o território da URSS, vingando a “punhalada pelas costas” no próprio ninho do Judaico-Bolchevismo, destruindo o Marxismo-Leninismo e acabando de vez com a aterrorizante ameaça de expansão da Revolução Russa para a Europa. De fato, Hitler queria salvar o Ocidente à moda das guerras da antiguidade, com o genocídio das populações conquistadas, a destruição das cidades e da própria razão de ser do inimigo, substituindo tudo o que seria arrasado por colônias germanizadas – assim como fizeram Roma, os EUA e a própria URSS.


A guerra pela conquista do espaço vital aconteceu, mas as coisas não foram como Hitler pretendia: o Reich de Mil Anos durou apenas doze, o Marxismo-Leninismo abocanhou metade da Europa e estendeu seus tentáculos pelo Mundo inteiro, até hoje.

O presente artigo fica por aqui. Espero que você tenha feito seu próprio juízo sobre a ligação do Nazismo com a esquerda.

Por Erick Guerra, O Caçador

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