Guaidó defende sanções internacionais contra governo Maduro

O líder da oposição na Venezuela Juan Guaidó voltou a defender, nesta 4ª feira (12.fev.2020), sanções estrangeiras contra seu país como forma de pressionar o governo de Nicolás Maduro.


Após uma sessão legislativa realizada em uma praça de Caracas, o presidente da Assembleia Nacional defendeu que as sanções são “ferramentas do mundo livre para enfrentar regimes que violam direitos humanos, torturadores e assassinos”.

“Sim, haverá mais sanções para os criminosos e para todos que apoiam a ditadura”, alertou Guaidó. Na 3ª feira (22.fev), após uma viagem internacional de 3 semanas, o líder opositor desembarcou no aeroporto de Caracas sob gritos de “fascista”.

Funcionários do Conviasa (Consórcio Venezuelano de Indústrias Aeronáuticas e Serviços Aéreos) estão descontentes com a proibição do governo norte-americano de qualquer transação comercial da empresa com os Estados Unidos. A medida, anunciada na última 6ª feira (7.fev), é a mais recente ação dos EUA com o objetivo de derrubar o regime de Maduro, incluindo o corte das receitas de petróleo de seu governo.

Pela 2ª vez em menos de um ano, Guaidó desrespeitou a proibição imposta por Maduro de sair do país e viajou à Colômbia, ao Canadá, aos Estados Unidos e à Europa para se reunir com políticos de países quem o apoiam. Na volta à Venezuela, o opositor não foi impedido de entrar no país, mas denunciou o desaparecimento de seu tio, Juan Márquez, que havia desembarcado com ele.

Na TV estatal, o principal aliado de Maduro, Diosdado Cabello, disse que Márquez foi preso por transportar explosivos. “Ele tinha lanternas táticas, que continham no compartimento da bateria substâncias químicas de natureza explosiva, presumivelmente explosivo C4 sintético”, disse. Segundo Cabello, o tio de Guaidó também transportava explosivos em “cápsulas de refil de perfume” e um pen drive com um relatório detalhando, em inglês, um plano contra a Venezuela.

A família de Márquez disse que ficou 24 horas sem saber sobre o seu paradeiro. “Ele é um homem de família, um trabalhador, não tem uma trajetória política nem registro policial”, disse Romina Botaro, esposa de Márquez. Maduro conta com o apoio das Forças Armadas da Venezuela e resiste no governo mesmo após o aumento da pressão por parte dos Estados Unidos.

Embora a Venezuela abrigue uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a economia do país entrou em colapso sob a liderança de Maduro, e o país acumula cinco anos de recessão.

A ONU diz que, desde 2015, mais de 4,5 milhões de pessoas deixaram o país, que tem a mais alta inflação do mundo, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional). Guaidó se autoproclamou presidente interino do país em 23 de janeiro de 2019, e foi reconhecido por mais de 50 países, incluindo Brasil e Estados Unidos.